Processo do McRib: juíza recusa travar o caso sobre a carne de costela contra a McDonald's
As pessoas procuram o processo do McRib depois de uma juíza federal de Chicago ter rejeitado o pedido da McDonald's para arquivar uma ação coletiva. O processo diz que o sanduíche é vendido de forma a sugerir carne de costela. A juíza April Perry arquivou algumas queixas, mas considerou que a leitura dos consumidores sobre o nome não é irrazoável, e a McDonald's diz que as queixas não têm fundamento.
As pessoas procuram o McRib porque uma juíza federal manteve viva uma ação coletiva de consumidores sobre o sanduíche. Na sexta-feira, 30 de outubro, a juíza April Perry, em Chicago, rejeitou o pedido da McDonald's para arquivar o processo, que acusa a empresa de enganar os clientes sobre o que está dentro da carne [1]. A decisão não diz se o McRib tem carne de costela. Diz apenas que a acusação é forte o suficiente para continuar.
O que decidiu a juíza
A decisão não dá vitória clara a nenhum dos lados. A Reuters noticiou que Perry arquivou algumas das acusações, mas não diz quais [1]. As partes que sobrevivem tocam no que um cliente comum espera do nome e do produto. Perry escreveu que a interpretação dos autores sobre o McRib «não é irrazoável nem fantasiosa». Também considerou prematuro aceitar o argumento da McDonald's de que nenhum consumidor razoável poderia esperar carne de costela no sanduíche [1].
A juíza olhou também para a forma como o produto é vendido. O site da McDonald's descreve o sanduíche apenas como contendo carne de porco, e Perry afirmou que o cliente não precisa de pesquisar um item de fast-food que custa cerca de 7 dólares antes de o comprar [1]. Acrescentou que a publicidade que realça o formato parecido com costela pode sustentar uma alegação de intenção de enganar. Os autores terão de provar essa intenção, por isso a juíza abriu uma porta sem resolver a questão [1].
Como começou o processo
A queixa foi apresentada a 23 de dezembro de 2025, no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte de Illinois. Quatro clientes querem representar todos os consumidores norte-americanos que compraram o McRib nos quatro anos anteriores [2]. O argumento é que o nome e o formato moldado sugerem carne de costela de porco, quando o produto é, na realidade, carne de porco reconstituída moldada para parecer costela [2].
A Reuters acrescenta mais pormenores sobre o que, segundo os autores, está dentro do sanduíche. Alegam que as porções são feitas com carne de porco de qualidade inferior, incluindo paleta, coração, tripas e estômago. Com base nisso, dizem que os clientes pagaram mais por um item caro do menu [1]. A McDonald's nega usar coração, tripas ou estômago no sanduíche [1].
O sanduíche tem um longo historial de atenção. Foi lançado em 1981 e desde então aparece no menu apenas de forma intermitente, o que ajudou a transformá-lo num favorito de culto e faz de cada regresso um acontecimento [2]. A Reuters lembra também que outras cadeias de fast-food, como a Burger King e a Wendy's, já enfrentaram processos sobre hambúrgueres que, segundo as acusações, parecem maiores do que são na realidade [1]. O caso do McRib insere-se nesse debate mais amplo sobre a forma como a comida é apresentada aos clientes.
O que diz a McDonald's
A McDonald's rejeita as acusações. Na resposta à Reuters, afirmou que «este processo distorce os factos e as alegações são infundadas» [1]. Antes, disse ao Marketeer que o McRib é feito com 100% de carne de porco de produtores norte-americanos, sem miudezas nem ingredientes inferiores, e que se trata de carne de porco desossada temperada, em molho barbecue, num pão tostado [2].
O advogado dos autores, Thiago Coelho, disse que os seus clientes vão continuar a exigir responsabilização pelo que classificam como publicidade enganosa [1]. As duas partes têm agora um processo ativo, com uma juíza que já analisou o argumento central e o considerou plausível o suficiente para avançar.
Porque importa e o que vem a seguir
Para os fãs, a pergunta é simples: há carne de costela no McRib? O tribunal ainda não respondeu. O que a decisão muda é o argumento jurídico. A juíza disse que a leitura do nome feita pelo cliente é razoável e que a forma de costela na publicidade pode ser relevante se a intenção for provada. Isso torna o caso mais difícil de arquivar logo no início.
O que se deve acompanhar a seguir é a lista das acusações que sobreviveram, e que a Reuters não publicou. O acórdão completo mostrará quais foram arquivadas e quais continuam. O próximo regresso do sanduíche aos menus também deverá manter o tema na ordem do dia, porque cada vez que o McRib volta, clientes e jornalistas tendem a fazer a mesma pergunta.
Fontes
- Judge rules McDonald's must face McRib lawsuit (Reuters, via KFGO), KFGO (Reuters) (2 de novembro de 2026)
- McDonald's em maus lençóis: marca é levada a tribunal e a culpa é de… uma costeleta, Marketeer (2 de novembro de 2026)
Idiomas: English